domingo, 3 de março de 2013

A TRAGÉDIA DO MAR DE ARAL

Com uma área de cerca de 68 mil km² e encravado em meio a aridez da Ásia Central, o Mar de Aral foi um imenso lago salgado localizado próximo as províncias de Aqtobe e Qyzylorda entre o Cazaquistão e o Uzbequistão. Foi, pois o que existe hoje naquela região é um imenso deserto de sal e areia, fruto da degradação sofrida ao longo de décadas.

 

Localização do Mar de Aral na Ásia Central
 
Antigamente o Mar de Aral era chamado de "Mar das Ilhas", devido ao grande número de pequenas ilhas presentes em seu leito, bem como, era um dos quatro maiores lagos do mundo. Hoje essas ilhas inexistem, o lago perdeu cerca de 60% do seu tamanho e seu volume de água está reduzido a cerca de 10% do seu volume original.

 


Camelos pastando pelo leito seco do Mar de Aral

A catástrofe deu-se início no final dos anos 50, quando o governo da antiga União Soviética elaborou um projeto para a transposição das águas do Amu Darya e do Syr Darya, principais afluentes do Aral, para irrigação de áreas de plantio de algodão.

A enorme quantidade de agrotóxicos lançados nas plantações poluiu cerca de 15% das águas, as quais já sofriam pelo impacto da produção energética soviética fornecida por 45 usinas hidrelétricas espalhadas pela bacia.

Como consequência desses impactos, associados a erosão, ao uso excessivo da água e poucas chuvas, o mar passou a receber toneladas de sal trazidas pelos rios, afetando toda a indústria pesqueira que sustentava a economia local. Toda a floresta circundante acabou e 80% das espécies de animais desapareceram.
 
 
Sequência de fotos tiradas por satélite mostrando a degradação do Mar de Aral ao longo de 20 anos
 
 
O sal e os pesticidas usados nas plantações de algodão infiltraram no solo, contaminando os lençóis freáticos, impossibilitando a agricultura e elevando não só o desemprego, mas também os índices de doenças como o câncer.

A tragédia ambiental abatida sobre o Mar de Aral deve nos servir de lição. Práticas predatórias e a falta de um planejamento técnico adequado, podem comprometer para sempre um ecossistema inteiro e todos os elementos que dependem dele. Se nada for efetivamente feito, o Aral pode desaparecer para sempre.


terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

A ÁGUA VIRTUAL E OS PERIGOS DA ESCASSEZ

Chamamos de ÁGUA VIRTUAL, toda água usada como insumo na produção de um bem ou serviço. Resumindo, em cada produto que consumimos diariamente, desde roupas, alimentos e materiais escolares, é utilizada direta ou indiretamente uma grande quantidade de água no processo produtivo (veja o quadro no final do post).

Entretanto, nem sempre os países com maior potencial hídrico são os maiores consumidores dessa água. É o caso de alguns países do Oriente Médio por exemplo, que possuem poucas fontes de água, mas que importam grandes quantidades de água virtual de outros países embutidas nos produtos que importam. É o caso da Jordânia e dos Emirados Árabes Unidos.

Outros países que possuem pouquíssimas fontes de água como Líbano, Israel e Kuwait, e que por conta disso possuem pouca capacidade agrícola, importam muita água virtual de outros países contida em alimentos.

O quadro abaixo mostra a quantidade exportada e importada de água virtual por alguns países:


 

Como podemos observar, o Brasil exporta através da sua produção industrial e agropecuária, uma enorme quantidade de água utilizada em seus produtos, o que o leva a um saldo negativo no balanço comercial de água virtual, exatamente por ter um potencial hídrico muito grande e importar menos.

A Globalização e o aumento no consumo de bens e serviços no mundo todo afetam significativamente as bacias hidrográficas de cada país, pois se por um lado essa transferência de água, democratiza seu acesso e alivia a escassez de alguns países, pressiona os principais exportadores de água, o que futuramente pode comprometer suas fontes.

Precisamos nos conscientizar de que a escassez de água potável no mundo passa não só pelo seu mau uso, mas também pelos maus hábitos e pelo consumismo descontrolado. Evitar o consumo desnecessário de bens industrializados e utilizando corretamente a água é um grande passo para a conservação desse recurso tão precioso.
 
 

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

AFINAL DE CONTAS, O QUE É SUSTENTABILIDADE?

As questões ligadas ao meio ambiente têm tomado conta das discussões sobre o desenvolvimento da sociedade, bem como o modo como esse desenvolvimento deve ocorrer. Nunca houve uma preocupação tão grande com o meio ambiente como nos últimos anos.

Não é pra menos. Nas últimas décadas a humanidade gerou uma enorme quantidade de resíduos sólidos e poluentes hídricos e atmosféricos, consequência de um crescimento econômico gigantesco, principalmente entre as nações emergentes como Brasil, China, Índia e África do Sul.

O resultado desse crescimento rápido e equivocado tem sido o esgotamento dos recursos naturais e a ampliação dos abismos sociais que separam ricos e pobres no mundo. No meio desse cenário surgiu o termo SUSTENTABILIDADE, que nada mais é do que o desenvolvimento da sociedade, levando em conta o equilíbrio entre o ser humano e a natureza.

A Sustentabilidade pressupõe políticas e atitudes que promovam o desenvolvimento mundial de forma justa e sem danos ao meio ambiente. Esse desenvolvimento gera poucos impactos à natureza e consequentemente à sociedade, pois visa o crescimento sem o uso de instrumentos predatórios, tais como o desmatamento das florestas, o mau uso dos recursos naturais e os impactos sociais gerados pela falta de planejamento e pelo consumo desenfreado.

Como parte de um desenvolvimento sustentável, devem ser adotadas políticas que equilibrem o crescimento econômico com o mínimo de impactos socioambientais. E esse tem sido um grande desafio para os dias atuais: encontrar em meio a poluição, o desmatamento e a massificação da produção industrial, um meio de desenvolvimento mais limpo e menos agressivo.

A sociedade atual ainda está longe de ser sustentável, mas cabe a nós promovermos o uso racional dos recursos naturais em benefício dos cidadãos de hoje e das futuras gerações.